Um poema pra ser livre,
e dentro dele viver e morrer,
quem o queira poeta,
sem o oficio
ou sacrifício
de ser profecia
ou profeta.
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domingo, 7 de setembro de 2014
sábado, 16 de agosto de 2014
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Correnteza
você já viu o mundo
pelos olhos de Van Gogh
é uma solidão
distorcida
é estar
e só...é multidão
A distância entre
a montanha e o mar
e o rio que te leva lá
são curvas distorcidas
mas eu sei chegar
e só só
admirar
A correnteza vai, vai nos levar
dessas ruínas
até um outro lugar
pelos olhos de Van Gogh
é uma solidão
distorcida
é estar
e só...é multidão
A distância entre
a montanha e o mar
e o rio que te leva lá
são curvas distorcidas
mas eu sei chegar
e só só
admirar
A correnteza vai, vai nos levar
dessas ruínas
até um outro lugar
Convexo
Eu vejo o lado de trás do espelho,
e não espalho seu reflexo,
é minha própria alma,
que fugiu pela janela.
Posso evitar ver,
é só desvir meu olhar para a refração,
mas o sembrante de mim mesmo,
ao avesso é solidão.
O que você vê?
e não espalho seu reflexo,
é minha própria alma,
que fugiu pela janela.
Posso evitar ver,
é só desvir meu olhar para a refração,
mas o sembrante de mim mesmo,
ao avesso é solidão.
O que você vê?
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
eu numas linhas rabiscadas
de um papel amarrotado
refiz um mundo de imaginação
pássaros cantavam pela madrugada
e eu
ao som do coração
rabiscava Mia Couto
e desenhava um tufão
não me venha com delírios
eu só quero emoção
eu batuco os meus dias
eu escrevo minha canção
o meu coração de aço
dissolve-se em inspiração
eu refaço o meu canto
de disfarço a solidão
sou a trilho e o trem
quando quero outra visão
eu vou lá em Itueta
e brinco com a minha salvação
estou salvo do perigo
meus amigos, minha visão
e quando vejo o nvisível
eu sei que é ilusão
de um papel amarrotado
refiz um mundo de imaginação
pássaros cantavam pela madrugada
e eu
ao som do coração
rabiscava Mia Couto
e desenhava um tufão
não me venha com delírios
eu só quero emoção
eu batuco os meus dias
eu escrevo minha canção
o meu coração de aço
dissolve-se em inspiração
eu refaço o meu canto
de disfarço a solidão
sou a trilho e o trem
quando quero outra visão
eu vou lá em Itueta
e brinco com a minha salvação
estou salvo do perigo
meus amigos, minha visão
e quando vejo o nvisível
eu sei que é ilusão
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Acompanho o sol
as japonesas tem segredos
por trás dos olhos.
A fila do pão francês,
é indiana,
a chinela do padeiro,
havaiana,
Ao meio dia,
eu espero o sol,
decidir a direção do meu olhar.
Têm muitas noites,
que não vejo as noites,
a lua sim,
ela é mais clara durante o dia.
Aquela música Miltada,
e onde tenha sol,
nem sou eu mais que vou,
eu voo.
as japonesas tem segredos
por trás dos olhos.
A fila do pão francês,
é indiana,
a chinela do padeiro,
havaiana,
Ao meio dia,
eu espero o sol,
decidir a direção do meu olhar.
Têm muitas noites,
que não vejo as noites,
a lua sim,
ela é mais clara durante o dia.
Aquela música Miltada,
e onde tenha sol,
nem sou eu mais que vou,
eu voo.
Hoje acordei,
um poema fugia pela janela.
Eu via suas últimas cores,
aquelas que não se engole a seco.
Hoje eu acordei,
esperando a visita de um amigo.
A rua vazia e ventosa,
num sol esmorecido.
Hoje eu esqueci de acordar,
eu vi meu dia de olhos fechados
disse a um velho que eu não abraçava há tempos,
"Pai, o vento no rosto é sonho, sabia?”
um poema fugia pela janela.
Eu via suas últimas cores,
aquelas que não se engole a seco.
Hoje eu acordei,
esperando a visita de um amigo.
A rua vazia e ventosa,
num sol esmorecido.
Hoje eu esqueci de acordar,
eu vi meu dia de olhos fechados
disse a um velho que eu não abraçava há tempos,
"Pai, o vento no rosto é sonho, sabia?”
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Toda sexta tem um pouco de paixão,
crucifixo tem aquele vazio da solidão,
Nem todo Murilo é fantástico como Rubião,
atitude do outro tem sua opinião.
Tambor tem um pouco de coração.
sorriso desesperado vem com depressão,
desculpa não merece todo perdão,
fracasso ninguém tem culpa não.
sorriso desesperado vem com depressão,
desculpa não merece todo perdão,
fracasso ninguém tem culpa não.
Vou me vestir de branco,
que é pra ter razão,
de não ser santo,
mas sozinho ter um pouco de multidão.
que é pra ter razão,
de não ser santo,
mas sozinho ter um pouco de multidão.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Deus demorou sete dias pra criar a capsula da felicidade,
o homem demorou 24 horas pra descobrir a solidão,
mibha mãe engravidou com 16 anos de idade,
com 30 anos eu fiz amigos indesejáveis.
E se meu poema é subjetivo demais,
vá morar no jardim do Édem,
coloque novos nomes,
em seres que não conhecem a si mesmos.
A multidão que fala em minha voz,
atormenta mais quando se cala,
Voltei a um amor esquecido,
e perdi perdão pelas flores feridas.
o homem demorou 24 horas pra descobrir a solidão,
mibha mãe engravidou com 16 anos de idade,
com 30 anos eu fiz amigos indesejáveis.
E se meu poema é subjetivo demais,
vá morar no jardim do Édem,
coloque novos nomes,
em seres que não conhecem a si mesmos.
A multidão que fala em minha voz,
atormenta mais quando se cala,
Voltei a um amor esquecido,
e perdi perdão pelas flores feridas.
Os anjos e demônios,
mortos e vivos invisíveis,
tiraram férias no final de julho.
Falaram que voltariam pelo correio,
eu bebi toda a luz da noite,
e no escuro eu vi o rosto dela
parecia mais linda que sempre.
Eu li Machado, Rubião e Sabino,
todos reclamaram da minha indiferença,
falaram que Alves, Suassuna e Ubaldo,
foram embora sem me perdoar.
Estou dormindo mais cedo agora,
às vezes choro pra lavar meu interior,
tudo ficou mais claro quando abro a porta,
e meus sonhos empoeirados,
estou pendurando um a um na prateleira da sala.
mortos e vivos invisíveis,
tiraram férias no final de julho.
Falaram que voltariam pelo correio,
eu bebi toda a luz da noite,
e no escuro eu vi o rosto dela
parecia mais linda que sempre.
Eu li Machado, Rubião e Sabino,
todos reclamaram da minha indiferença,
falaram que Alves, Suassuna e Ubaldo,
foram embora sem me perdoar.
Estou dormindo mais cedo agora,
às vezes choro pra lavar meu interior,
tudo ficou mais claro quando abro a porta,
e meus sonhos empoeirados,
estou pendurando um a um na prateleira da sala.
domingo, 27 de julho de 2014
Overdose
20 horas
pra quem pesaledou 30 anos,
nem o maracatu de uma tonelada
rouba a leveza dessas estrelas,,,
pra quem pesaledou 30 anos,
nem o maracatu de uma tonelada
rouba a leveza dessas estrelas,,,
Quem desaprendeu a sonhar,
é comum a ligeireza dos novos passos,
e não se trata de ser retrô ou vil,
é só apagar a luz por hoje,
refazer o café
para o sofá não esvaziar.
é comum a ligeireza dos novos passos,
e não se trata de ser retrô ou vil,
é só apagar a luz por hoje,
refazer o café
para o sofá não esvaziar.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Fotografia
Se o sol me levasse
pro outro lado
e bem cedo...
eu retornasse
Ninguém saberia
eu
juro segredo
Mas meu cético olhar
vê nessa fotografia
uma nostalgia avermelhar...a ver melhor
como se fosse só
o fim do dia
domingo, 20 de abril de 2014
Novamente
Pela manhã,
noite ou tarde,
os caminhos que poetizaram,
surgem diante de mim
porém,
sem nenhuma poesia.
Eu.
com meu suor e poeira;
escolho algum aleatoriamente,
esperando um pouco de paz.
Durante as noites,
Sinto angústias de escolhas que não fiz,
Acordo de pesadelos que me sugam,
escuto alguma boa alma chorando,
e já é hora de domir novamente.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Agora
Apagar as luzes,
abreviar,
ser breve,
passageiro.
Reduzir o efêmero,
provocar,
questionar,
desconsiderar qualquer possibilidade de destino.
abreviar,
ser breve,
passageiro.
Reduzir o efêmero,
provocar,
questionar,
desconsiderar qualquer possibilidade de destino.
domingo, 30 de março de 2014
Salto
Um tiro em minha mente.
Todas as manhãs,
desço a escada dos pesadelos,
e entro em outro sonho.
A vida se resume,
em tentativas a abrir,
portas trancadas.
Quando se cansa,
restam janelas do décimo sétimo andar.
Mas quem cortou minha asas?
Deslize
Sua alma foge pela garganta,
sorri em ondas,
abraça um terço da eternidade,
e volta macia.
Meus acordes,
acordam de pesadelos,
meus segredos eu lhe conto,
com desvios de olhares.
O destino é desviado,
sinto-me em paz,
e despedindo,
magnetismo acelerado.
E quem entenderia
uma sentimento enterrado?
Nessa noite de absurdos,
pelo acaso destinado?
sexta-feira, 28 de março de 2014
Sem gravidade
Eu ando pela cidade,
admirando os edifícios.
minha alma quer voar,
por cima de todos eles.
Eu ando pelas ruas,
ouvindo o som do subsolo,
sentindo um saudade estranha,
e um destino de voltar,
Eu vejo cordas em nós,
respiro pólvoras do silêncio,
meu tempo está...
sempre acelerado.
A chuva que trarei,
será tão efêmera...
Quem musicava,
é lembrado apenas pelo silêncio.
O pouco que preciso terminar,
me faz andar pela cidade.
Sou epifania e sinestesia,
em um corpo já sem gravidade.
terça-feira, 25 de março de 2014
segunda-feira, 24 de março de 2014
Sombras
Delirante,
febre e noite alucinante,
bichos noturnos que vagam,
pelo meu sono deserto.
Sentes paz no que é palpável?
Sente paz no que é real?
Toda essa estrutura de guerra,
e o filme que condicionaram em nossa mente,
de repente,
é um pesadelo acordar.
Eu vago pela noite,
não seria a dor a me tirar a paz,
preciso ver,
sombra e cores.
febre e noite alucinante,
bichos noturnos que vagam,
pelo meu sono deserto.
Sentes paz no que é palpável?
Sente paz no que é real?
Toda essa estrutura de guerra,
e o filme que condicionaram em nossa mente,
de repente,
é um pesadelo acordar.
Eu vago pela noite,
não seria a dor a me tirar a paz,
preciso ver,
sombra e cores.
Feneral
Preparei-me a vida toda,
agora tremo,
vivendo gastei toda a virilidade,
que deveria guardar pra essa batalha.
A morte me atrai com asas coloridas,
e o som da vida,
já era monotonia há tempos.
Vejo relógios,
aqueles antigos que não se vê,
batendo,
alertando sobre o próximo tempo.
A terra que virá sobre meu corpo,
serei adubo para outras flores,
todo sentimentalidade,
guardada em arquivos psicológicos,
passará enquanto o novo chega.
agora tremo,
vivendo gastei toda a virilidade,
que deveria guardar pra essa batalha.
A morte me atrai com asas coloridas,
e o som da vida,
já era monotonia há tempos.
Vejo relógios,
aqueles antigos que não se vê,
batendo,
alertando sobre o próximo tempo.
A terra que virá sobre meu corpo,
serei adubo para outras flores,
todo sentimentalidade,
guardada em arquivos psicológicos,
passará enquanto o novo chega.
Navio
Eu já lhe escrevo distante...
o mar agora,
separa toda memória,
e tudo é mais claro...
O destino amarelado,
alguns sóis se foram,
desenhando a mesma,
velha nostalgia.
Com o tempo aprende-se calar,
aquele grito que se tranca,
envelhece,
esquece.
Meus olhos cheios de cicatrizes,
e todo esse fluxo,
pouca saudades tenho das noites agitadas,
e do que eu era antes de ser.
Receba minhas cartas,
como um tempo que preciso,
como palavras que escolho,
pra novamente não lhe dizer.
Não lhe dizer
Nuvem passageira,
gotas momentâneas,
só o tempo dirá,
o quanto durará toda efemeridade.
E o que dirá o silêncio?
ou a conexão das palavras?
nessa abstração que escrevo,
enquanto bate um coração que recomeça.
O ultimo verso,
termina quase sempre por dizer,
enquanto penso as entrelinhar,
do que sinto sem saber.
Desenho assim,
um poema sem forma,
que se torna,
minha forma de não lhe dizer,
gotas momentâneas,
só o tempo dirá,
o quanto durará toda efemeridade.
E o que dirá o silêncio?
ou a conexão das palavras?
nessa abstração que escrevo,
enquanto bate um coração que recomeça.
O ultimo verso,
termina quase sempre por dizer,
enquanto penso as entrelinhar,
do que sinto sem saber.
Desenho assim,
um poema sem forma,
que se torna,
minha forma de não lhe dizer,
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Abstração
Não sei em qual vagão ela virá,
no banco desta estação,
a espero.
Embora,
será somente meu esse embarque,
o último a se fazer.
Deixem a saudade de lado,
a luta contra o tempo
é perdida desde antes.
Não tenho medo
da próxima cidade,
sinto o tremor dos trilhos
no banco desta estação,
a espero.
Embora,
será somente meu esse embarque,
o último a se fazer.
Deixem a saudade de lado,
a luta contra o tempo
é perdida desde antes.
Não tenho medo
da próxima cidade,
sinto o tremor dos trilhos
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Fragmento
Fiz um poema pra você,
fugir de si quando ler,
brincar de pular e saltar,
as palavras quando quiser.
Fiz um poema pra você,
dançar quando ouvir,
bailar com o silêncio,
do que refletir,
o poema que fiz pra você
Fiz um poema pra você,
simples como um olhar,
fugaz como o voo da borboleta,
que a gente se encanta,
antes de esquecer.
Fiz um poema pra você,
misturar o fim com o começo,
entrar dentro de um labirinto,
ou mover as palavras,
como queira.
Fiz um poema pra você,
inútil, passageiro, fragmentado,
como deveria ser,
um poema que fiz pra você
fugir de si quando ler,
brincar de pular e saltar,
as palavras quando quiser.
Fiz um poema pra você,
dançar quando ouvir,
bailar com o silêncio,
do que refletir,
o poema que fiz pra você
Fiz um poema pra você,
simples como um olhar,
fugaz como o voo da borboleta,
que a gente se encanta,
antes de esquecer.
Fiz um poema pra você,
misturar o fim com o começo,
entrar dentro de um labirinto,
ou mover as palavras,
como queira.
Fiz um poema pra você,
inútil, passageiro, fragmentado,
como deveria ser,
um poema que fiz pra você
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
O silêncio
A fechadura era a angústia.
João Augusto não teve opção. Abriu, entrou lentamente, era domingo. O sol sangrava no céu e ventavam espadas. A
sala era grande, estranhamente mobiliada. Por um momento pensou se seria
possível voltar os passos, talvez ainda carregasse consigo o livre arbítrio. Não teve forças.
Dois dias antes, João
Augusto acreditava em Deus, era devoto de são Pedro, nunca negara um favor ao
próximo. Agora, sangue nos olhos, coração evaporando, lâminas nos dedos. Ninguém
na sala. Era preciso esperar, pensou. Se fosse necessário, dias, meses. O ódio
vinha em ondas, altas, violentas. Se existe Deus, deve achar graça em desenhar
a desventura.
Alguns minutos, o vazio, o
corpo cansado ao chão. Somente a alma andava pela sala revistando cada canto.
João Augusto olhava, queria chama-la, mas, como? O que dizer? O tempo apagou
alguns instantes.
A lua cheia pela fresta da
janela, já não enxergava a alma. Talvez tivesse voltado em silencio. Estranho.
O pouco que o astro iluminava, era um velho quadro na parede. O tempo apagou
mais alguns instantes, mas ainda era noite. João Augusto acordara, tentou sentir
a alma em seu corpo. O coração já não evaporava com tanta pressa, agora era um
riacho mais calmo. Ouviu passos.
A porta abria lentamente.
Era preciso reagir. O destino que o levara até ali, agora parecia mais
distante. A luz acesa. A lua desaparece. Olhos nos olhos, a alma estava dentro
do corpo.
Quem é você? Sou o silêncio.
Como? Silêncio.
Os olhos azuis, infantis,
cabelos negros, a pele clara, era pequeno. A voz tão doce.
Agora João Augusto estava possesso
por um pranto convulsivo. A alma lhe pesava toneladas, o silêncio permaneceu
imóvel. Parecia conhecer aquele instante.
Afinal, toda vingança
parecia inútil. A vida era inútil. O silêncio observava.
João Augusto, um pouco
refeito, lavava as mãos. Lâminas finas desciam pelo ralo. Voltou à sala. O
silêncio. João Augusto. A alma. Alguém
era uma visita estranha. Ficaram ali os três. A alma era a mais inquieta.
Porque veio? É o destino.
Imaginava de outra forma. Todos se surpreendem. Vais ficar por muito tempo? Não
sei, sua alma parece confusa. É...as vezes ela desaparece.
A luz apaga. A porta fecha.
A lua brilha. O vento sopra. O silencio evapora deixando o ar úmido. Estranho.
O coração mantém a calma.
João Augusto está sentado em
uma cadeira. Levanta. Acende a luz. A lua reflete. Volta à mesa. Procura papel
e caneta. Escreve versos. Varias folhas. Horas. A lua silencia. Pássaros
cantam. A alma dorme. João lava o rosto. É segunda-feira. A fechadura é de aço.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Ofício
Abra a porta,
limpe os olhos no tapete,
o sofá espera a alma,
o caus em ordem alfabética.
O profeta,
prevê com caneta,
em rimas,
em páginas.
A folha,
perde a inocência,
rabiscada,
de lágrimas.
O que sente a dor,
ainda mente,
seu leitor,
segue descrente.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A noite
Depois de tanto tempo retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou
olhar à janela, mas como se chegasse á
conclusão que não valia a pena rever o
que já esquecera, debruçou sobre a mesa
continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
Escreveu por longas horas, longos períodos,
como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença,
ainda era cedo, não havia razão para anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua
alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai
e vem das ruas
As pessoas passavam fugindo de alguma rotina,
talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas
de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso
era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que
vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar
para que a chuva de fato viesse.
Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida,
raramente algum automóvel rompia com as cores.
Pensou em fechar outra vez
as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão,
tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela
paisagem urbana, o vento ainda
negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os
olhos antes... o pombo voou.
domingo, 28 de julho de 2013
Mais um de tantos
Do meu lado que desconheço,
espero surgirem as palavras...
aguardo...
percebo a raridade do silêncio.
Nesse tempo,
muros pichados,
através de janelas previsíveis,
visualmente gritam.
A minha alma é massacrada,
por contradições invisíveis,
meus passos,
interrogações e reticências.
Eu procuro as palavras,
sem armas, sem rede, sem anzol...
meu coração é imã,
a pena, a rima.
E nesse tempo,
me desconheço mais,
quando me revelo,
o poema, com seu primeiro choro,
as vezes beijo, as vezes rejeito.
espero surgirem as palavras...
aguardo...
percebo a raridade do silêncio.
Nesse tempo,
muros pichados,
através de janelas previsíveis,
visualmente gritam.
A minha alma é massacrada,
por contradições invisíveis,
meus passos,
interrogações e reticências.
Eu procuro as palavras,
sem armas, sem rede, sem anzol...
meu coração é imã,
a pena, a rima.
E nesse tempo,
me desconheço mais,
quando me revelo,
o poema, com seu primeiro choro,
as vezes beijo, as vezes rejeito.
sábado, 15 de junho de 2013
Navegar
Navegar é difícil,
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.
Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.
Navego por dentro,
de um rio,
coração.
Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.
Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.
Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?
Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.
Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.
Navego por dentro,
de um rio,
coração.
Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.
Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.
Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?
Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.
domingo, 9 de junho de 2013
Metamorfose
toda metamorfose,
você,
observador estático,
anacrônico,
desleal.
normal,
ninguém pode apreender todo contexto,
observo ,
daqui de dentro...
variam muito os pontos de vista,
quando a dor é quase insuportável.
domingo, 26 de maio de 2013
Releia
O silêncio,
os objetos,
o contexto,
a alma...
Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.
Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.
Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.
Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.
Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...
os objetos,
o contexto,
a alma...
Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.
Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.
Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.
Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.
Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...
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