Depois de tanto tempo retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou
olhar à janela, mas como se chegasse á
conclusão que não valia a pena rever o
que já esquecera, debruçou sobre a mesa
continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
Escreveu por longas horas, longos períodos,
como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença,
ainda era cedo, não havia razão para anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua
alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai
e vem das ruas
As pessoas passavam fugindo de alguma rotina,
talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas
de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso
era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que
vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar
para que a chuva de fato viesse.
Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida,
raramente algum automóvel rompia com as cores.
Pensou em fechar outra vez
as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão,
tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela
paisagem urbana, o vento ainda
negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os
olhos antes... o pombo voou.
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