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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A noite

Depois de tanto tempo  retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou olhar à janela, mas como se chegasse á conclusão que não valia a pena  rever o que já esquecera, debruçou sobre a mesa  continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
 Escreveu por longas horas, longos períodos, como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença, ainda era cedo,  não havia razão para  anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai e vem das ruas
 As pessoas passavam fugindo de alguma rotina, talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar para que a chuva de fato viesse.
 Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida, raramente algum automóvel rompia com as cores.

Pensou em fechar outra vez as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão, tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela paisagem urbana, o vento ainda  negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os olhos antes... o pombo voou.

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