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domingo, 7 de setembro de 2014

O que dizer?
Sentido, palavra, esconderijo,
eu vi gente,
simples tomando café,
ao mesmo tempo,
eu vazio de fé,
fotografava a cruz,
uma dose de vida,
nas montanhas e seus contrastes,
seria minha arte,
eternizar toda efemeridade?
Silenciosa nossa canção
breve como o cruzar,
de olhares espontâneos,
que leem a alma devagar.

Silenciosa nossa harmonia,
delicadamente os dedos percorrem,
mudam de tom, casa, nota
nem se nota nosso silencio.

Ao fim
uma canção audível,
silenciosamente ruidosa,
como o acelerar vagaroso,
de nossos corações
Sexta,
samba,
certa tristeza.
Se não tivesses asas,
como locomoverias?
Amanheceu,
como se noite não houvesse havido
meu coração diluviado,
sem se quer gota ter chovido.
Um poema pra ser livre,
e dentro dele viver e morrer,
quem o queira poeta,
sem o oficio
ou sacrifício
de ser profecia
ou profeta.

sábado, 16 de agosto de 2014

Havia bactérias nos olhos,
e o coração lento batia,
pelo que não via,
pois não havia,
por que bater.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Está à venda minha alma,
estou a vendo do espelho,
está avessas comigo,
não tente só por hoje
ser meu inimigo.
Nem fiz um poema,
o dia rimou tanto.

Correnteza

você já viu o mundo 
pelos olhos de Van Gogh
é uma solidão
distorcida
é estar
e só...é multidão
A distância entre
a montanha e o mar
e o rio que te leva lá
são curvas distorcidas
mas eu sei chegar
e só só
admirar


A correnteza vai, vai nos levar
dessas ruínas
até um outro lugar

Convexo

Eu vejo o lado de trás do espelho,
e não espalho seu reflexo,
é minha própria alma,
que fugiu pela janela.

Posso evitar ver,
é só desvir meu olhar para a refração,
mas o sembrante de mim mesmo,
ao avesso é solidão.

O que você vê?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

eu numas linhas rabiscadas
de um papel amarrotado
refiz um mundo de imaginação

pássaros cantavam pela madrugada
e eu
ao som do coração
rabiscava Mia Couto
e desenhava um tufão

não me venha com delírios
eu só quero emoção
eu batuco os meus dias
eu escrevo minha canção

o meu coração de aço
dissolve-se em inspiração
eu refaço o meu canto
de disfarço a solidão

sou a trilho e o trem
quando quero outra visão
eu vou lá em Itueta
e brinco com a minha salvação

estou salvo do perigo
meus amigos, minha visão
e quando vejo o nvisível
eu sei que é ilusão
Seus olhos lacrimejados, 
apavoram-me mais
que o espelho da minha alma.

Minha mente pede
horário de recolher,
eu recolho no seu corpo
meu desejo de viver
Nessa vida 
evasão
pés e algemas no chão
Uma lição se fez
Cada passo de uma vez

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Acompanho o sol
as japonesas tem segredos
por trás dos olhos.

A fila do pão francês,
é indiana,
a chinela do padeiro,
havaiana,

Ao meio dia,
eu espero o sol,
decidir a direção do meu olhar.

Têm muitas noites,
que não vejo as noites,
a lua sim,
ela é mais clara durante o dia.

Aquela música Miltada,
e onde tenha sol,
nem sou eu mais que vou,
eu voo.
Corpo trancado,
metro quadrado,
Parede e espelho,
de frente ou de lado
Hoje acordei,
um poema fugia pela janela.
Eu via suas últimas cores,
aquelas que não se engole a seco.

Hoje eu acordei,
esperando a visita de um amigo.
A rua vazia e ventosa,
num sol esmorecido.

Hoje eu esqueci de acordar,
eu vi meu dia de olhos fechados
disse a um velho que eu não abraçava há tempos,
"Pai, o vento no rosto é sonho, sabia?”

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Toda sexta tem um pouco de paixão,
crucifixo tem aquele vazio da solidão,
Nem todo Murilo é fantástico como  Rubião,
atitude do outro tem sua opinião.
Tambor tem um pouco de coração.
sorriso desesperado vem com depressão,
desculpa não merece todo perdão,
fracasso ninguém tem culpa não.
Vou me vestir de branco,
que é pra ter razão,
de não ser santo,
mas sozinho ter um pouco de multidão.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Deus demorou sete dias pra criar a capsula da felicidade,
o homem demorou 24 horas pra descobrir a solidão,
mibha mãe engravidou com 16 anos de idade,
com 30 anos eu fiz amigos indesejáveis.
E se meu poema é subjetivo demais,
vá morar no jardim do Édem,
coloque novos nomes,
em seres que não conhecem a si mesmos.
A multidão que fala em minha voz,
atormenta mais quando se cala,
Voltei a um amor esquecido,
e perdi perdão pelas flores feridas.
Refazendo essa rota,
uruboro,
Devorando sol, lua, estrela.
Os anjos e demônios,
mortos e vivos invisíveis, 
tiraram férias no final de julho.

Falaram que voltariam pelo correio,
eu bebi toda a luz da noite,
e no escuro eu vi o rosto dela
parecia mais linda que sempre.

Eu li Machado, Rubião e Sabino,
todos reclamaram da minha indiferença,
falaram que Alves, Suassuna e Ubaldo,
foram embora sem me perdoar.

Estou dormindo mais cedo agora,
às vezes choro pra lavar meu interior,
tudo ficou mais claro quando abro a porta,
e meus sonhos empoeirados,
estou pendurando um a um na prateleira da sala.

domingo, 27 de julho de 2014

Overdose

20 horas
pra quem pesaledou 30 anos,
nem o maracatu de uma tonelada
rouba a leveza dessas estrelas,,,
Quem desaprendeu a sonhar,
é comum a ligeireza dos novos passos,
e não se trata de ser retrô ou vil,
é só apagar a luz por hoje,
refazer o café
para o sofá não esvaziar.

sábado, 26 de julho de 2014

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Fotografia


Se o sol me levasse
pro outro lado
e bem cedo...
eu retornasse

Ninguém saberia
eu
juro segredo

Mas meu cético olhar
vê nessa fotografia
uma nostalgia avermelhar...a ver melhor
como se fosse só
o fim do dia



domingo, 20 de abril de 2014

Novamente

Pela manhã,
noite ou tarde,
os caminhos que poetizaram, 
surgem diante de mim
porém, 
sem nenhuma poesia.

Eu.  
com meu suor e poeira;
escolho algum aleatoriamente,
esperando um pouco de paz.

Durante as noites,
Sinto angústias de escolhas que não fiz,
Acordo de pesadelos que me sugam,
escuto alguma boa alma chorando,
e já é hora de domir novamente. 


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Agora

Apagar as luzes,
abreviar,
ser breve,
passageiro.

Reduzir o efêmero,
provocar,
questionar,
desconsiderar qualquer possibilidade de destino.


domingo, 30 de março de 2014

Salto


Um tiro em minha mente.
Todas as manhãs,
desço a escada dos pesadelos,
e entro em outro sonho.

A vida se resume,
em tentativas a abrir,
portas trancadas.

Quando se cansa,
restam janelas do décimo sétimo andar.


Mas quem cortou minha asas?

Deslize

Sua alma foge pela garganta,
sorri em ondas,
abraça um terço da eternidade,
e volta macia.

Meus acordes,
acordam de pesadelos,
meus segredos eu lhe conto,
com desvios de olhares.

O destino é desviado,
sinto-me em paz,
e despedindo,
magnetismo acelerado.

E quem entenderia
uma sentimento enterrado?
Nessa noite de absurdos,

pelo acaso destinado?

sexta-feira, 28 de março de 2014

Sem gravidade

Eu ando pela cidade,
admirando os edifícios.
minha alma quer voar,
por cima de todos eles.

Eu ando pelas ruas,
ouvindo o som do subsolo,
sentindo um saudade estranha,
e um destino de voltar,

Eu vejo cordas em nós,
respiro pólvoras do silêncio,
meu tempo está...
sempre acelerado. 

A chuva que trarei,
será tão efêmera...
Quem musicava,
é lembrado apenas pelo silêncio.

O pouco que preciso terminar,
me faz andar pela cidade.
Sou epifania e sinestesia,
em um corpo já sem gravidade. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Pena

Tenho pena da pena,
quando tem que penar,
com esses meus delírios,
na ânsia de me libertar.




segunda-feira, 24 de março de 2014

Sombras

Delirante,
febre e noite alucinante,
bichos noturnos que vagam,
pelo meu sono deserto.

Sentes paz no que é palpável?
Sente paz no que é real?

Toda essa estrutura de guerra,
e o filme que condicionaram em nossa mente,
de repente,
é um pesadelo acordar.

Eu vago pela noite,
não seria a dor a me tirar a paz,
preciso ver,
sombra e cores.

Feneral

Preparei-me  a vida toda,
agora tremo,
vivendo gastei toda a virilidade,
que deveria guardar pra essa batalha.

A morte me atrai com asas coloridas,
e o som da vida,
já era monotonia há tempos.

Vejo relógios,
aqueles antigos que não se vê,
batendo,
alertando sobre o próximo tempo.

A terra que virá sobre meu corpo,
serei adubo para outras flores,
todo sentimentalidade,
guardada em arquivos psicológicos,
passará enquanto o novo chega.


Navio

Eu já lhe escrevo distante...
o mar agora,
separa toda memória,
e tudo é mais claro...

O destino amarelado,
alguns sóis se foram,
desenhando a mesma,
velha nostalgia.

Com o tempo aprende-se calar,
aquele grito que se tranca,
envelhece,
esquece.

Meus olhos cheios de cicatrizes,
e todo esse fluxo,
pouca saudades tenho das noites agitadas,
e do que eu era antes de ser.

Receba minhas cartas,
como um tempo que preciso,
como palavras que escolho,
pra novamente não lhe dizer.

Não lhe dizer

Nuvem passageira,
gotas momentâneas,
só o tempo dirá,
o quanto durará toda efemeridade.

E o que dirá o silêncio?
ou a conexão das palavras?
nessa abstração que escrevo,
enquanto bate um coração que recomeça.

O ultimo verso,
termina quase sempre por dizer,
enquanto penso as entrelinhar,
do que sinto sem saber.

Desenho assim,
um poema sem forma,
que se torna,
minha forma de não lhe dizer,



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Abstração

Não sei em qual vagão ela virá,
no banco desta estação,
a espero.

Embora,
será somente meu esse embarque,
o último a se fazer.

Deixem a saudade de lado,
a luta contra o tempo
é perdida desde antes.

Não tenho medo
da próxima cidade,
sinto o tremor dos trilhos


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Releio textos,
não procuro estética,
porém,
o lugar onde costumo esquecer a alma.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Tanta paisagem
possibilidade
tanta estrada
tanto céu
tanto mar

Minha alma aqui
trancada nesse corpo de aluguel
vendo o céu
pela janela dos meus olhos

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Filho

Antes de nascer,
o amor,
era um afeto.

Fragmento

Fiz um poema pra você,
fugir de si quando ler,
brincar de pular e saltar,
as palavras quando quiser.

Fiz um poema pra você,
dançar quando ouvir,
bailar com o silêncio,
do que refletir,
o poema que fiz pra você

Fiz um poema pra você,
simples como um olhar,
fugaz como o voo da borboleta,
que a gente se encanta,
antes de esquecer.

Fiz um poema pra você,
misturar o fim com o começo,
entrar dentro de um labirinto,
ou mover as palavras,
como queira.

Fiz um poema pra você,
inútil, passageiro, fragmentado,
como deveria ser,
um poema que fiz pra você

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O silêncio

A fechadura era a angústia. João Augusto não teve opção. Abriu, entrou lentamente, era domingo.  O sol sangrava no céu e ventavam espadas. A sala era grande, estranhamente mobiliada. Por um momento pensou se seria possível voltar os passos, talvez ainda carregasse consigo  o livre arbítrio. Não teve forças.
Dois dias antes, João Augusto acreditava em Deus, era devoto de são Pedro, nunca negara um favor ao próximo. Agora, sangue nos olhos, coração evaporando, lâminas nos dedos. Ninguém na sala. Era preciso esperar, pensou. Se fosse necessário, dias, meses. O ódio vinha em ondas, altas, violentas. Se existe Deus, deve achar graça em desenhar a desventura.
Alguns minutos, o vazio, o corpo cansado ao chão. Somente a alma andava pela sala revistando cada canto. João Augusto olhava, queria chama-la, mas, como? O que dizer? O tempo apagou alguns instantes.
A lua cheia pela fresta da janela, já não enxergava a alma. Talvez tivesse voltado em silencio. Estranho. O pouco que o astro iluminava, era um velho quadro na parede. O tempo apagou mais alguns instantes, mas ainda era noite. João Augusto acordara, tentou sentir a alma em seu corpo. O coração já não evaporava com tanta pressa, agora era um riacho mais calmo. Ouviu passos.
A porta abria lentamente. Era preciso reagir. O destino que o levara até ali, agora parecia mais distante. A luz acesa. A lua desaparece. Olhos nos olhos, a alma estava dentro do corpo.
Quem é você? Sou o silêncio. Como? Silêncio.
Os olhos azuis, infantis, cabelos negros, a pele clara, era pequeno. A voz tão doce.
Agora João Augusto estava possesso por um pranto convulsivo. A alma lhe pesava toneladas, o silêncio permaneceu imóvel. Parecia conhecer aquele instante.
Afinal, toda vingança parecia inútil. A vida era inútil. O silêncio observava.
João Augusto, um pouco refeito, lavava as mãos. Lâminas finas desciam pelo ralo. Voltou à sala. O silêncio. João Augusto. A alma.  Alguém era uma visita estranha. Ficaram ali os três. A alma era a mais inquieta.
Porque veio? É o destino. Imaginava de outra forma. Todos se surpreendem. Vais ficar por muito tempo? Não sei, sua alma parece confusa. É...as vezes ela desaparece.
A luz apaga. A porta fecha. A lua brilha. O vento sopra. O silencio evapora deixando o ar úmido. Estranho. O coração mantém a calma.
João Augusto está sentado em uma cadeira. Levanta. Acende a luz. A lua reflete. Volta à mesa. Procura papel e caneta. Escreve versos. Varias folhas. Horas. A lua silencia. Pássaros cantam. A alma dorme. João lava o rosto. É segunda-feira. A fechadura é de aço.
     
  


       





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ofício

Abra a porta,
limpe os olhos no tapete,
o sofá espera a alma,
o caus em ordem alfabética.

O profeta,
prevê com caneta,
em rimas,
em páginas.

A folha,
perde a inocência,
rabiscada,
de lágrimas.


O que sente a dor,
ainda mente,
seu leitor,
segue descrente. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A noite

Depois de tanto tempo  retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou olhar à janela, mas como se chegasse á conclusão que não valia a pena  rever o que já esquecera, debruçou sobre a mesa  continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
 Escreveu por longas horas, longos períodos, como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença, ainda era cedo,  não havia razão para  anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai e vem das ruas
 As pessoas passavam fugindo de alguma rotina, talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar para que a chuva de fato viesse.
 Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida, raramente algum automóvel rompia com as cores.

Pensou em fechar outra vez as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão, tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela paisagem urbana, o vento ainda  negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os olhos antes... o pombo voou.