Pássaro de rua,
antes de dormir,
apague a lua.
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terça-feira, 29 de outubro de 2013
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
O silêncio
A fechadura era a angústia.
João Augusto não teve opção. Abriu, entrou lentamente, era domingo. O sol sangrava no céu e ventavam espadas. A
sala era grande, estranhamente mobiliada. Por um momento pensou se seria
possível voltar os passos, talvez ainda carregasse consigo o livre arbítrio. Não teve forças.
Dois dias antes, João
Augusto acreditava em Deus, era devoto de são Pedro, nunca negara um favor ao
próximo. Agora, sangue nos olhos, coração evaporando, lâminas nos dedos. Ninguém
na sala. Era preciso esperar, pensou. Se fosse necessário, dias, meses. O ódio
vinha em ondas, altas, violentas. Se existe Deus, deve achar graça em desenhar
a desventura.
Alguns minutos, o vazio, o
corpo cansado ao chão. Somente a alma andava pela sala revistando cada canto.
João Augusto olhava, queria chama-la, mas, como? O que dizer? O tempo apagou
alguns instantes.
A lua cheia pela fresta da
janela, já não enxergava a alma. Talvez tivesse voltado em silencio. Estranho.
O pouco que o astro iluminava, era um velho quadro na parede. O tempo apagou
mais alguns instantes, mas ainda era noite. João Augusto acordara, tentou sentir
a alma em seu corpo. O coração já não evaporava com tanta pressa, agora era um
riacho mais calmo. Ouviu passos.
A porta abria lentamente.
Era preciso reagir. O destino que o levara até ali, agora parecia mais
distante. A luz acesa. A lua desaparece. Olhos nos olhos, a alma estava dentro
do corpo.
Quem é você? Sou o silêncio.
Como? Silêncio.
Os olhos azuis, infantis,
cabelos negros, a pele clara, era pequeno. A voz tão doce.
Agora João Augusto estava possesso
por um pranto convulsivo. A alma lhe pesava toneladas, o silêncio permaneceu
imóvel. Parecia conhecer aquele instante.
Afinal, toda vingança
parecia inútil. A vida era inútil. O silêncio observava.
João Augusto, um pouco
refeito, lavava as mãos. Lâminas finas desciam pelo ralo. Voltou à sala. O
silêncio. João Augusto. A alma. Alguém
era uma visita estranha. Ficaram ali os três. A alma era a mais inquieta.
Porque veio? É o destino.
Imaginava de outra forma. Todos se surpreendem. Vais ficar por muito tempo? Não
sei, sua alma parece confusa. É...as vezes ela desaparece.
A luz apaga. A porta fecha.
A lua brilha. O vento sopra. O silencio evapora deixando o ar úmido. Estranho.
O coração mantém a calma.
João Augusto está sentado em
uma cadeira. Levanta. Acende a luz. A lua reflete. Volta à mesa. Procura papel
e caneta. Escreve versos. Varias folhas. Horas. A lua silencia. Pássaros
cantam. A alma dorme. João lava o rosto. É segunda-feira. A fechadura é de aço.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Ofício
Abra a porta,
limpe os olhos no tapete,
o sofá espera a alma,
o caus em ordem alfabética.
O profeta,
prevê com caneta,
em rimas,
em páginas.
A folha,
perde a inocência,
rabiscada,
de lágrimas.
O que sente a dor,
ainda mente,
seu leitor,
segue descrente.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
A noite
Depois de tanto tempo retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou
olhar à janela, mas como se chegasse á
conclusão que não valia a pena rever o
que já esquecera, debruçou sobre a mesa
continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
Escreveu por longas horas, longos períodos,
como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença,
ainda era cedo, não havia razão para anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua
alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai
e vem das ruas
As pessoas passavam fugindo de alguma rotina,
talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas
de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso
era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que
vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar
para que a chuva de fato viesse.
Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida,
raramente algum automóvel rompia com as cores.
Pensou em fechar outra vez
as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão,
tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela
paisagem urbana, o vento ainda
negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os
olhos antes... o pombo voou.
domingo, 28 de julho de 2013
Mais um de tantos
Do meu lado que desconheço,
espero surgirem as palavras...
aguardo...
percebo a raridade do silêncio.
Nesse tempo,
muros pichados,
através de janelas previsíveis,
visualmente gritam.
A minha alma é massacrada,
por contradições invisíveis,
meus passos,
interrogações e reticências.
Eu procuro as palavras,
sem armas, sem rede, sem anzol...
meu coração é imã,
a pena, a rima.
E nesse tempo,
me desconheço mais,
quando me revelo,
o poema, com seu primeiro choro,
as vezes beijo, as vezes rejeito.
espero surgirem as palavras...
aguardo...
percebo a raridade do silêncio.
Nesse tempo,
muros pichados,
através de janelas previsíveis,
visualmente gritam.
A minha alma é massacrada,
por contradições invisíveis,
meus passos,
interrogações e reticências.
Eu procuro as palavras,
sem armas, sem rede, sem anzol...
meu coração é imã,
a pena, a rima.
E nesse tempo,
me desconheço mais,
quando me revelo,
o poema, com seu primeiro choro,
as vezes beijo, as vezes rejeito.
sábado, 15 de junho de 2013
Navegar
Navegar é difícil,
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.
Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.
Navego por dentro,
de um rio,
coração.
Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.
Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.
Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?
Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.
Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.
Navego por dentro,
de um rio,
coração.
Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.
Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.
Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?
Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.
domingo, 9 de junho de 2013
Metamorfose
toda metamorfose,
você,
observador estático,
anacrônico,
desleal.
normal,
ninguém pode apreender todo contexto,
observo ,
daqui de dentro...
variam muito os pontos de vista,
quando a dor é quase insuportável.
domingo, 26 de maio de 2013
Releia
O silêncio,
os objetos,
o contexto,
a alma...
Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.
Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.
Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.
Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.
Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...
os objetos,
o contexto,
a alma...
Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.
Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.
Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.
Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.
Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...
Laço
Pra iludir a morte,
utiliza se o medo de viver,
morre se aos poucos,
pra não ser tão vivo.
Assim,
vida e morte entrelaçam,
nem se vive,nem se morre,
sobrevive...
utiliza se o medo de viver,
morre se aos poucos,
pra não ser tão vivo.
Assim,
vida e morte entrelaçam,
nem se vive,nem se morre,
sobrevive...
domingo, 5 de maio de 2013
Ciclo
Vendo o mundo girar,
girando se o mundo parar,
eu vivo a vida voltando,
sempre ao mesmo lugar.
Origem que emigra pra vida,
eu negro pra me conhecer,
Por fim compreendo ser feito,
do desconhecido saber.
Sou místico de alma,
Sou índio, vertigem,
sou branco de falta,
Sou negro de origem.
Eu me desconhecendo,
desfazendo, descobrindo,
o ciclo reciclando,
seguindo meu caminho.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Por ela
Quando foram tristes,
aqueles imprevisíveis dias,
o perfume dela,
era suave,
era luz...
Sinestesicamente embalsamado.
As horas me curavam,
cada segundo,
cada palavra.
Como tudo que é fugaz,
passou a dor,
e como pouco que é eterno,
ficou apenas meu amor.
por ela.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A fé
Todo poema que falta um verso,
todo pecado evitado,
confesso,
existe sem existir,
é o inverso.
Toda criança que sofre,
toda infância,
que morre,
existe,
sem existir,
é o inverso
E a nós
só resta chorar,
pelo que não foi.
Acreditar no que não é,
pois a fé,
é doce,
até amargar.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Leitura
Escrevo poema com os olhos,
leio com a alma,
depois sou tão diferente,
que esqueço o que procurava.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Alma
Guardo pra mim,
só pra mim,
as palavras aveludadas,
tão sentimentais,
mas sem significado.
Guardo pra mim,
toda beleza do que não sei dizer,
e o que não sei sentir,
guardo também.
Guardo pra mim,
um rio de coisas simples,
o primeiro cheiro da chuva,
e todas as lembranças da infância.
Guardo pra mim,
todas as cores que me enchem,
e todas as canções,
que só são belas naquele instante.
Guardo pra mim,
todo desperdício,
de ter que jogar fora.
Guardo pra mim,
o que não cabe em mais ninguém,
guardo a aguardo com calma,
até explodir a minha alma.
domingo, 13 de janeiro de 2013
Percepção
Quanta dor traria tal despedida,
mas...
vou navegando pelo mar,
encharcando de minério.
descobrindo o mistério.
Talvez eu volte pra contar,
sobre o outro lado,
talvez de lá...
eu mande algum recado,
talvez,
eu volte sonhar.
mas...
vou navegando pelo mar,
encharcando de minério.
descobrindo o mistério.
Talvez eu volte pra contar,
sobre o outro lado,
talvez de lá...
eu mande algum recado,
talvez,
eu volte sonhar.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Nota
Por acaso,
por um instante.
o mundo passa a ter,
o peso de uma borboleta.
aí se pode sorrir,
displicentemente,
ao encontrar,
a beleza que se perdeu..
Manhã
Manhã silenciosa,
À procura de aquietar,
todos os ruídos interiores.
Manhã sem sol,
sem vento ou nuvem,
apenhas manhã.
Nem cedo
nem tarde,
apenas metade.
Manhã vazia,
sem tristeza,
nem alegria.
Mais uma de tantas outras,
talvez a última manhã,
antes da noite.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Amanhã
O destino,
às margens do meu sorriso,
por ele não me encanto.
Aguardo sem esperar,
de repente,
lentamente virá.
Juntar o inverso,
Partir com meus versos,
tornar poesia.
Entre sem bater,
roube-me em silêncio,
torne-me presente.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Gira
Antes de dormir,
apague a Lua.
A rua, a praça é deserta,
a vida é incerta.
antes do dormir.
O mundo gira pra embalar,
gira até o sol chegar,
gira,
pra nos fazer girar,
atrás de tudo que é vão.
Antes de dormir...
A Força (ou A Forca)
Força pra respirar,
a estrada da fé,
longa é,
força pra acreditar.
Estar só, duvidar,
à solidão,
inquisição,
força pra acreditar.
No fim,
tudo lembra você,
dentro de mim,
Força pra esquecer.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A beleza
Às vezes esqueço me da sua face.
É que o tempo sempre me furta,
as melhores lembranças,
por mais que eu as oculte.
Você ressurge em sonhos,
dançando e dialogando,
como música e musa,
tocando ao amanhecer.
Num realismo fantástico,
romanticamente intangível,
simplesmente disfarçada,
ressurge como o Rubi.
Por mais que se grite,
desfalece intocável,
sempre presente,
misteriosamente ausente.
sábado, 10 de novembro de 2012
Oração
As palavras parecem desbotadas,
descrentes, silenciosas,
desorganizadas,
pedindo pra ser reinventadas.
Faço a minha oração,
sem sujeito, sem fé e sem sentido,
fecho os olhos!
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
"Trindade"
Pensando em você,
ao fim de uma garrafa de lirismo,
Buscando fazer,
Versos pouco intuitivos.
Contradição pra recriar,
A imagem que contém,
Naquele último olhar,
Ao partir do trem.
Do trem azul da canção,
que roubou a minha mente,
Torno me à estação,
Pra te encontrar novamente.
Em algum lugar sem tempo,
Pra falar de eternidade,
Que seja o próximo momento,
Pra findar essa saudade
ao fim de uma garrafa de lirismo,
Buscando fazer,
Versos pouco intuitivos.
Contradição pra recriar,
A imagem que contém,
Naquele último olhar,
Ao partir do trem.
Do trem azul da canção,
que roubou a minha mente,
Torno me à estação,
Pra te encontrar novamente.
Em algum lugar sem tempo,
Pra falar de eternidade,
Que seja o próximo momento,
Pra findar essa saudade
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Jogo de palavras
Palavras empoeiradas de uma frase,
é o poeta jogando xadrez,
todo valor é indefinido,
servo, bispo, torre e rei.
O artigo substantiva, a crase,
muda a direção de uma vez,
o que era sentimento indefinido
define se então como lei.
Reinventar o conceito,
reparar no contexto,
arranjar um pretexto,
pra tentar ser feliz,
Prender se à regras,
é tornar se surdo ao que o poeta diz,
na verdade, a norma ativa,
a impossibilidade de ser feliz.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Sangue no asfalto
Havia um tempo em que se escrevia cartas,
utilizando mãos, tinta e sentimentos.
Naquele tempo havia ainda silêncio e saudade,
telefones, fichas.
O carteiro?
Esperávamos no portão.
Era possível ver o sol se esconder.
Nostalgia?
Não..
A informação nos aproximou,
para longe de nós mesmos,
Narrativa?
Não sabemos mais contar histórias...
E deve ser por isso que extinguiram a palavra "estória",
ninguém a usa mais...
Havia um tempo em que as palavras eram fortes,
hoje são tão banais,
morte, guerra, ódio, fome...
sei lá...
Se fossem só palavras,
seriam só palavras...
Mas passamos os olhos sobre o jornal,
parecem mesmo só palavras,
apesar do sangue no asfalto...
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Espelho
Sou eu, aquele menino na janela,
fragmentando a vida,
juntando palavras desconexas,
pra completar mais tarde,
orações aleijadas.
Eu sou um ensaio freudiano,
um hiato de alguns anos...
Como foram mesmo aqueles dias?
Eu era um personagem tipo...
Sou o outro pra ser eu,
Não como Mia Couto,
Mas sem identidade...
Eu sou a saudade,
de sofrer sem sentir...
Eu sou o menino na janela!
domingo, 16 de setembro de 2012
O mais difícil da poesia,
é o título.
Inspiração a gente encontra num copo qualquer,
Métrica?
ninguém mais quer medir as palavras.
Mas...o título...
esse sim é quase impossível.
Quando é hora de cria-lo,
você já disse tudo que não queria dizer,
o efeito de todo copo passou,
e os heterônimos de Pessoa,
cadê? Cada um pra sua casa.
O lírico não aguentou o contraste da televisão ligada,
você lembra que precisa acertar o despertador...
e ali está a linha branca...
esperando...
Ah...dessa vez...
Quase
Pensei em fazer um poema.
Veio a inspiração,
mas...
alguém estava à porta...
O maldito carteiro,
puxando meus pés de volta ao chão.
Ah...se não fosse a realidade,
eu seria bem melhor que sou.
Pausas
É a canção da vida que me inspira,
regida por minha subjetividade,
que aliás...anda tão...escondida,
com braços amarrados.
As vezes eu a encontro em livros empoeirados,
não a canção, a subjetividade,
e essa ficou tanto tempo longe,
que eu a releio...releio.
E a canção?
É difícil responder,
imprevisível,
passo anos sem inspiração.
Mas é a canção da vida que me inspira,
regida...por... pausas
dores, dúvidas, máscaras,
e muitas vozes.
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