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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Filho

Antes de nascer,
o amor,
era um afeto.

Fragmento

Fiz um poema pra você,
fugir de si quando ler,
brincar de pular e saltar,
as palavras quando quiser.

Fiz um poema pra você,
dançar quando ouvir,
bailar com o silêncio,
do que refletir,
o poema que fiz pra você

Fiz um poema pra você,
simples como um olhar,
fugaz como o voo da borboleta,
que a gente se encanta,
antes de esquecer.

Fiz um poema pra você,
misturar o fim com o começo,
entrar dentro de um labirinto,
ou mover as palavras,
como queira.

Fiz um poema pra você,
inútil, passageiro, fragmentado,
como deveria ser,
um poema que fiz pra você

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O silêncio

A fechadura era a angústia. João Augusto não teve opção. Abriu, entrou lentamente, era domingo.  O sol sangrava no céu e ventavam espadas. A sala era grande, estranhamente mobiliada. Por um momento pensou se seria possível voltar os passos, talvez ainda carregasse consigo  o livre arbítrio. Não teve forças.
Dois dias antes, João Augusto acreditava em Deus, era devoto de são Pedro, nunca negara um favor ao próximo. Agora, sangue nos olhos, coração evaporando, lâminas nos dedos. Ninguém na sala. Era preciso esperar, pensou. Se fosse necessário, dias, meses. O ódio vinha em ondas, altas, violentas. Se existe Deus, deve achar graça em desenhar a desventura.
Alguns minutos, o vazio, o corpo cansado ao chão. Somente a alma andava pela sala revistando cada canto. João Augusto olhava, queria chama-la, mas, como? O que dizer? O tempo apagou alguns instantes.
A lua cheia pela fresta da janela, já não enxergava a alma. Talvez tivesse voltado em silencio. Estranho. O pouco que o astro iluminava, era um velho quadro na parede. O tempo apagou mais alguns instantes, mas ainda era noite. João Augusto acordara, tentou sentir a alma em seu corpo. O coração já não evaporava com tanta pressa, agora era um riacho mais calmo. Ouviu passos.
A porta abria lentamente. Era preciso reagir. O destino que o levara até ali, agora parecia mais distante. A luz acesa. A lua desaparece. Olhos nos olhos, a alma estava dentro do corpo.
Quem é você? Sou o silêncio. Como? Silêncio.
Os olhos azuis, infantis, cabelos negros, a pele clara, era pequeno. A voz tão doce.
Agora João Augusto estava possesso por um pranto convulsivo. A alma lhe pesava toneladas, o silêncio permaneceu imóvel. Parecia conhecer aquele instante.
Afinal, toda vingança parecia inútil. A vida era inútil. O silêncio observava.
João Augusto, um pouco refeito, lavava as mãos. Lâminas finas desciam pelo ralo. Voltou à sala. O silêncio. João Augusto. A alma.  Alguém era uma visita estranha. Ficaram ali os três. A alma era a mais inquieta.
Porque veio? É o destino. Imaginava de outra forma. Todos se surpreendem. Vais ficar por muito tempo? Não sei, sua alma parece confusa. É...as vezes ela desaparece.
A luz apaga. A porta fecha. A lua brilha. O vento sopra. O silencio evapora deixando o ar úmido. Estranho. O coração mantém a calma.
João Augusto está sentado em uma cadeira. Levanta. Acende a luz. A lua reflete. Volta à mesa. Procura papel e caneta. Escreve versos. Varias folhas. Horas. A lua silencia. Pássaros cantam. A alma dorme. João lava o rosto. É segunda-feira. A fechadura é de aço.
     
  


       





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ofício

Abra a porta,
limpe os olhos no tapete,
o sofá espera a alma,
o caus em ordem alfabética.

O profeta,
prevê com caneta,
em rimas,
em páginas.

A folha,
perde a inocência,
rabiscada,
de lágrimas.


O que sente a dor,
ainda mente,
seu leitor,
segue descrente. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A noite

Depois de tanto tempo  retomou as folhas esquecidas e o lápis. Ameaçou olhar à janela, mas como se chegasse á conclusão que não valia a pena  rever o que já esquecera, debruçou sobre a mesa  continuando a mesma frase, como se todo aquele tempo passado estivesse congelado em alguma gaveta da alma.
 Escreveu por longas horas, longos períodos, como se libertasse outra vez o espírito. Quando a noite chegou sem licença, ainda era cedo,  não havia razão para  anoitecer. Porém, como se desejasse vender sua alma a algum tempo físico, sentiu necessidade de abrir a janela para ver o vai e vem das ruas
 As pessoas passavam fugindo de alguma rotina, talvez fosse sábado, ou natal. Um velho pombo catava algumas últimas migalhas de pipoca da criança que não se ajustava aos passos do pai, olhando pra trás. Isso era um único minúsculo feixe luz.
O vento era daqueles que vendia chuva e não a entregava no tempo prometido, era necessário blasfemar para que a chuva de fato viesse.
 Aos poucos a rua ficava silenciosa e colorida, raramente algum automóvel rompia com as cores.

Pensou em fechar outra vez as janelas, mas era como se não tivesse coragem, talvez fosse tudo ilusão, tentou levantar os braços, porém, distraiu-se com as infinitas cores que surgiam pela paisagem urbana, o vento ainda  negociava...tinha medo que o sol estragasse aquele momento, fechou os olhos antes... o pombo voou.

domingo, 28 de julho de 2013

Mais um de tantos

Do meu lado que desconheço,
espero surgirem as palavras...
aguardo...
percebo a raridade do silêncio.

Nesse tempo,
muros pichados,
através de janelas previsíveis,
visualmente gritam.

A minha alma é massacrada,
por contradições invisíveis,
meus passos,
interrogações e reticências.

Eu procuro as palavras,
sem armas, sem rede, sem anzol...
meu coração é imã,
a pena, a rima.

E nesse tempo,
me desconheço mais,
 quando me revelo,
o poema, com seu primeiro choro,
as vezes beijo, as vezes rejeito.

sábado, 15 de junho de 2013

Navegar

Navegar é difícil,
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.

Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.

Navego por dentro,
de um rio,
coração.

Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.

Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.

Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?

Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.

domingo, 9 de junho de 2013

Metamorfose


toda metamorfose,
você,
observador estático,
anacrônico,
desleal.
normal,
ninguém pode apreender todo contexto,
observo ,
daqui de dentro...
variam muito os pontos de vista,
quando a dor é quase insuportável.

domingo, 26 de maio de 2013

Releia

O silêncio,
os objetos,
o contexto,
a alma...

Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.

Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.

Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.

Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.

Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...

Laço

Pra iludir a morte,
utiliza se o medo de viver,
morre se aos poucos,
pra não ser tão vivo.

Assim,
vida e morte entrelaçam,
nem se vive,nem se morre,
sobrevive...


domingo, 5 de maio de 2013

Ciclo




Vendo o mundo girar,
girando se o  mundo parar,
eu vivo a vida voltando,
sempre ao mesmo lugar.

Origem que emigra pra vida,
eu negro pra me conhecer,
Por fim compreendo ser feito,
do desconhecido saber.

Sou místico de alma,
Sou índio, vertigem,
sou branco de falta,
Sou negro de origem.

Eu me desconhecendo,
desfazendo, descobrindo,
o ciclo reciclando,
seguindo meu caminho.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Por ela



Quando foram tristes,
aqueles imprevisíveis dias,
o perfume dela,
era suave,
era luz...
Sinestesicamente embalsamado.
As horas me curavam,
cada segundo,
cada palavra.
Como tudo que é fugaz,
passou a dor,
e como pouco que é eterno,
ficou apenas meu amor.
por ela.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A fé


Todo poema que falta um verso,
todo pecado evitado,
confesso,
existe sem existir,
é o inverso.


Toda criança que sofre,
toda infância,
que morre,
existe,
sem existir,
é o inverso

E a nós
só resta chorar,
pelo que não foi.

Acreditar no que não é,
pois a fé,
é doce,
até amargar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Leitura


Escrevo poema com os olhos,
leio com a alma,
depois sou tão diferente,
que esqueço o que procurava.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Alma


Guardo pra mim,
só pra mim,
as palavras aveludadas,
tão sentimentais,
mas sem significado.

Guardo pra mim,
toda beleza do que não sei dizer,
e o que não sei sentir,
guardo também.

Guardo pra mim,
um rio de coisas simples,
o primeiro cheiro da chuva,
e todas as lembranças da infância.

Guardo pra mim,
todas as cores que me enchem,
e todas as canções,
que só são belas naquele instante.

Guardo pra mim,
todo desperdício,
de ter que jogar fora.

Guardo pra mim,
o  que não cabe em mais ninguém,
guardo a aguardo com calma,
até explodir a minha alma.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Percepção

Quanta dor traria tal despedida,
mas...
vou navegando pelo mar,
encharcando de minério.
descobrindo o mistério.

Talvez eu volte pra contar,
sobre  o outro lado,
talvez de lá...
eu mande algum recado,
talvez,
eu volte  sonhar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Nota


Por acaso,
por um instante.
o mundo passa a ter,
o peso de uma borboleta.
aí se pode sorrir,
displicentemente,
ao encontrar,
a beleza que se perdeu..

Manhã


Manhã silenciosa,
À procura de aquietar,
todos os ruídos interiores.

Manhã sem sol,
sem vento ou nuvem,
apenhas manhã.

Nem cedo
nem tarde,
apenas metade.

Manhã vazia,
sem tristeza,
nem alegria.

Mais uma de tantas outras,
talvez a última manhã,
antes da noite.