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sábado, 15 de junho de 2013

Navegar

Navegar é difícil,
mesmo assim navego,
sem saber se preciso,
dessa cruz que carrego.

Navego sem precisão,
sem Pessoa,
sem emoção.

Navego por dentro,
de um rio,
coração.

Navego pelas veias,
pelos olhos,
por esgotos.

Navegar é fugir,
e sumir,
é voltar.

Eu navego sobrenaturalmente,
sem fé,
como foi,
como é?

Navegar
se perder,
se encontrar,
depois morrer.

domingo, 9 de junho de 2013

Metamorfose


toda metamorfose,
você,
observador estático,
anacrônico,
desleal.
normal,
ninguém pode apreender todo contexto,
observo ,
daqui de dentro...
variam muito os pontos de vista,
quando a dor é quase insuportável.

domingo, 26 de maio de 2013

Releia

O silêncio,
os objetos,
o contexto,
a alma...

Em tudo bate o som,
de minhas palavras,
Depois volta,
refeito.

Eu me livro do que sinto,
e lhe ofereço,
saboreio o amargo,
que sentes.

Não há razão pra se dizer,
pois antes das palavras,
tudo já foi dito.

Ignore o que sinto,
ouça só o som,
invadindo o silêncio da alma.

Releia múltiplas vezes,
até se tornar um poema,
feito por nós...

Laço

Pra iludir a morte,
utiliza se o medo de viver,
morre se aos poucos,
pra não ser tão vivo.

Assim,
vida e morte entrelaçam,
nem se vive,nem se morre,
sobrevive...


domingo, 5 de maio de 2013

Ciclo




Vendo o mundo girar,
girando se o  mundo parar,
eu vivo a vida voltando,
sempre ao mesmo lugar.

Origem que emigra pra vida,
eu negro pra me conhecer,
Por fim compreendo ser feito,
do desconhecido saber.

Sou místico de alma,
Sou índio, vertigem,
sou branco de falta,
Sou negro de origem.

Eu me desconhecendo,
desfazendo, descobrindo,
o ciclo reciclando,
seguindo meu caminho.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Por ela



Quando foram tristes,
aqueles imprevisíveis dias,
o perfume dela,
era suave,
era luz...
Sinestesicamente embalsamado.
As horas me curavam,
cada segundo,
cada palavra.
Como tudo que é fugaz,
passou a dor,
e como pouco que é eterno,
ficou apenas meu amor.
por ela.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A fé


Todo poema que falta um verso,
todo pecado evitado,
confesso,
existe sem existir,
é o inverso.


Toda criança que sofre,
toda infância,
que morre,
existe,
sem existir,
é o inverso

E a nós
só resta chorar,
pelo que não foi.

Acreditar no que não é,
pois a fé,
é doce,
até amargar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Leitura


Escrevo poema com os olhos,
leio com a alma,
depois sou tão diferente,
que esqueço o que procurava.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Alma


Guardo pra mim,
só pra mim,
as palavras aveludadas,
tão sentimentais,
mas sem significado.

Guardo pra mim,
toda beleza do que não sei dizer,
e o que não sei sentir,
guardo também.

Guardo pra mim,
um rio de coisas simples,
o primeiro cheiro da chuva,
e todas as lembranças da infância.

Guardo pra mim,
todas as cores que me enchem,
e todas as canções,
que só são belas naquele instante.

Guardo pra mim,
todo desperdício,
de ter que jogar fora.

Guardo pra mim,
o  que não cabe em mais ninguém,
guardo a aguardo com calma,
até explodir a minha alma.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Percepção

Quanta dor traria tal despedida,
mas...
vou navegando pelo mar,
encharcando de minério.
descobrindo o mistério.

Talvez eu volte pra contar,
sobre  o outro lado,
talvez de lá...
eu mande algum recado,
talvez,
eu volte  sonhar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Nota


Por acaso,
por um instante.
o mundo passa a ter,
o peso de uma borboleta.
aí se pode sorrir,
displicentemente,
ao encontrar,
a beleza que se perdeu..

Manhã


Manhã silenciosa,
À procura de aquietar,
todos os ruídos interiores.

Manhã sem sol,
sem vento ou nuvem,
apenhas manhã.

Nem cedo
nem tarde,
apenas metade.

Manhã vazia,
sem tristeza,
nem alegria.

Mais uma de tantas outras,
talvez a última manhã,
antes da noite.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Amanhã


O destino,
às margens do meu sorriso,
por ele não me encanto.

Aguardo sem esperar,
de repente,
lentamente virá.

Juntar o inverso,
Partir com meus versos,
tornar poesia.

Entre sem bater,
roube-me em silêncio,
torne-me presente.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Gira


Antes  de dormir,
apague a Lua.
A rua, a praça é deserta,
a vida é incerta.
antes do dormir.

O mundo gira pra embalar,
gira até o sol chegar,
gira,
pra nos fazer girar,
atrás de tudo que é vão.

Antes de dormir...



A Força (ou A Forca)


Força pra respirar,
a estrada da fé,
longa é,
força pra acreditar.

Estar só, duvidar,
à solidão,
inquisição,
força pra acreditar.

No fim,
tudo lembra você,
dentro de mim,
Força pra esquecer.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A beleza


Às vezes esqueço me da sua face.
É que o tempo sempre me furta,
as melhores lembranças,
por mais que eu as oculte.

Você ressurge em sonhos,
dançando e dialogando,
como música e musa,
tocando ao amanhecer.


Num realismo fantástico,
romanticamente intangível,
simplesmente disfarçada,
ressurge como o Rubi.

Por mais que se grite,
desfalece intocável,
sempre presente,
misteriosamente ausente.

sábado, 10 de novembro de 2012

Oração


As palavras parecem desbotadas,
descrentes, silenciosas,
desorganizadas,
pedindo pra ser reinventadas.

Faço a minha oração,
sem sujeito, sem fé e sem sentido,
fecho os olhos!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Trindade"

Pensando em você,
ao fim de uma garrafa de lirismo,
Buscando fazer,
Versos pouco intuitivos.


Contradição pra recriar,
A imagem que contém,
Naquele último olhar,
Ao partir do trem.


Do trem azul da canção,
que roubou a minha mente,
Torno me à estação,
Pra te encontrar novamente.


Em algum lugar sem tempo,
Pra falar de eternidade,
Que seja o próximo momento,
Pra findar essa saudade

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Jogo de palavras


Palavras empoeiradas de uma frase,
é o poeta jogando xadrez,
todo valor é  indefinido,
servo, bispo, torre e rei.

O artigo substantiva, a crase,
muda a direção de uma vez,
o que era sentimento indefinido
define se então como lei.

Reinventar o conceito,
reparar no contexto,
arranjar um pretexto,
pra tentar ser feliz,

Prender se à regras,
é tornar se surdo ao que o poeta diz,
na verdade, a norma ativa,
a impossibilidade de ser feliz.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sangue no asfalto


Havia um tempo em que se escrevia cartas,
utilizando mãos, tinta e sentimentos.

Naquele tempo havia ainda silêncio e saudade,
telefones, fichas.
O carteiro?
Esperávamos no portão.

Era possível ver o sol se esconder.
Nostalgia?
Não..

A informação nos aproximou,
para longe de nós mesmos,

Narrativa?
Não sabemos mais contar histórias...
E deve ser por isso que extinguiram a palavra "estória",
ninguém a usa mais...

Havia um tempo em que as palavras eram fortes,
hoje são tão banais,
morte, guerra, ódio, fome...
sei lá...
Se fossem só palavras,
seriam só palavras...
Mas passamos os olhos sobre o jornal,
parecem mesmo  só palavras,
apesar do sangue no asfalto...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Espelho


Sou eu, aquele menino na janela,
fragmentando a vida,
juntando palavras desconexas,
pra completar mais tarde,
orações aleijadas.

Eu sou um ensaio freudiano,
um hiato de alguns anos...
Como foram mesmo aqueles dias?
Eu era um personagem tipo...

Sou o outro pra ser eu,
Não como Mia Couto,
Mas sem identidade...

Eu sou a saudade,
de sofrer sem sentir...

Eu sou o menino na janela!



domingo, 16 de setembro de 2012


O mais difícil da poesia,
é o título.
Inspiração a gente encontra num copo qualquer,
Métrica?
ninguém mais quer medir as palavras.
Mas...o título...
esse sim é quase impossível.

Quando é hora de cria-lo,
você já disse tudo que não queria dizer,
o efeito de todo copo passou,
e os heterônimos de Pessoa,
cadê? Cada um pra sua casa.

O lírico não aguentou o contraste da televisão ligada,
você lembra que precisa acertar o despertador...
e ali está a linha branca...
esperando...

Ah...dessa vez...

Quase


Pensei em fazer um poema.
Veio a inspiração,
mas...
alguém estava à porta...

O maldito carteiro,
puxando meus pés de volta ao chão.
Ah...se não fosse a realidade,
eu seria bem melhor que sou.

Pausas


É a canção da vida que me inspira,
regida por minha subjetividade,
que aliás...anda tão...escondida,
com  braços amarrados.

As vezes eu a encontro em livros empoeirados,
não a canção, a subjetividade,
e essa ficou tanto tempo longe,
que eu a releio...releio.

E a canção?
É difícil responder,
imprevisível,
passo anos sem inspiração.

Mas é a canção da vida que me inspira,
regida...por... pausas
dores, dúvidas, máscaras,
e  muitas vozes.