Translate

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Jogo de palavras


Palavras empoeiradas de uma frase,
é o poeta jogando xadrez,
todo valor é  indefinido,
servo, bispo, torre e rei.

O artigo substantiva, a crase,
muda a direção de uma vez,
o que era sentimento indefinido
define se então como lei.

Reinventar o conceito,
reparar no contexto,
arranjar um pretexto,
pra tentar ser feliz,

Prender se à regras,
é tornar se surdo ao que o poeta diz,
na verdade, a norma ativa,
a impossibilidade de ser feliz.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sangue no asfalto


Havia um tempo em que se escrevia cartas,
utilizando mãos, tinta e sentimentos.

Naquele tempo havia ainda silêncio e saudade,
telefones, fichas.
O carteiro?
Esperávamos no portão.

Era possível ver o sol se esconder.
Nostalgia?
Não..

A informação nos aproximou,
para longe de nós mesmos,

Narrativa?
Não sabemos mais contar histórias...
E deve ser por isso que extinguiram a palavra "estória",
ninguém a usa mais...

Havia um tempo em que as palavras eram fortes,
hoje são tão banais,
morte, guerra, ódio, fome...
sei lá...
Se fossem só palavras,
seriam só palavras...
Mas passamos os olhos sobre o jornal,
parecem mesmo  só palavras,
apesar do sangue no asfalto...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Espelho


Sou eu, aquele menino na janela,
fragmentando a vida,
juntando palavras desconexas,
pra completar mais tarde,
orações aleijadas.

Eu sou um ensaio freudiano,
um hiato de alguns anos...
Como foram mesmo aqueles dias?
Eu era um personagem tipo...

Sou o outro pra ser eu,
Não como Mia Couto,
Mas sem identidade...

Eu sou a saudade,
de sofrer sem sentir...

Eu sou o menino na janela!



domingo, 16 de setembro de 2012


O mais difícil da poesia,
é o título.
Inspiração a gente encontra num copo qualquer,
Métrica?
ninguém mais quer medir as palavras.
Mas...o título...
esse sim é quase impossível.

Quando é hora de cria-lo,
você já disse tudo que não queria dizer,
o efeito de todo copo passou,
e os heterônimos de Pessoa,
cadê? Cada um pra sua casa.

O lírico não aguentou o contraste da televisão ligada,
você lembra que precisa acertar o despertador...
e ali está a linha branca...
esperando...

Ah...dessa vez...

Quase


Pensei em fazer um poema.
Veio a inspiração,
mas...
alguém estava à porta...

O maldito carteiro,
puxando meus pés de volta ao chão.
Ah...se não fosse a realidade,
eu seria bem melhor que sou.

Pausas


É a canção da vida que me inspira,
regida por minha subjetividade,
que aliás...anda tão...escondida,
com  braços amarrados.

As vezes eu a encontro em livros empoeirados,
não a canção, a subjetividade,
e essa ficou tanto tempo longe,
que eu a releio...releio.

E a canção?
É difícil responder,
imprevisível,
passo anos sem inspiração.

Mas é a canção da vida que me inspira,
regida...por... pausas
dores, dúvidas, máscaras,
e  muitas vozes.